Artigo: Todos contra todos, ainda pior – Valdetário Andrade Monteiro

Tratamos neste mesmo espaço da preocupante escalada das redes sociais como ‘pseudo veículo’ de informação para alguns muitos (O POVO, 01/03/2018), eis que agora, conhecendo os últimos acontecimentos, constatamos que o assunto é muito mais grave do que imaginávamos.

O que pareceu à primeira vista, ser a passageira disseminação de uma cultura de excessos, feita como exteriorização de uma tendência de comportamento, em verdade é algo, muito pior.

A promoção de variados horrores, destruindo honras e currículos, promovendo reviravoltas eleitorais em várias repúblicas do mundo, bem demonstra que somos incapazes, pelo visto, de nos defendermos a tempo do “ardil da nova era”.

A principal rede social, o Facebook, foi exposta mundialmente após o The New York Times revelar que a Cambridge Analytica, consultoria da campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, obteve dados de 50 milhões de seus usuários, abusando dessas informações para vencer a eleição de 2016.

Dois dias depois de aflorado o escândalo, o fundador da rede social, Mark Zuckerberg, admitiu que errou simplesmente se desculpando com seus 2,58 bilhões de incautos clientes.

O sinal aqui, passa de amarelo para encarnado ofuscante, pois se num país dito desenvolvido, numa disputa entre Trump e Hillary, representantes máximos do poderio econômico global, o fenômeno se materializou, imaginem, ou melhor, tenham pesadelos acordados, sabendo que o Brasil, com os pouquíssimos recursos investidos em inteligência na Polícia Civil e com a sobrecarga da Polícia Federal, tem, segundo a Forbes, 100 milhões de  usuários, estando em primeiro lugar na América Latina.

Junte a esta maligna fórmula, a eleição geral que se avizinha e teremos, agora sim, um “todos contra todos” sem precedentes na história deste País.

 

Valdetário Andrade Monteiro 

Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça

[email protected]

(artigo publicado no Jornal O Povo – 29/03/2018)