Academia Cearense de Letras Jurídicas empossou sua nova Diretoria

Aconteceu nesta quinta-feira (28) no Palácio da Luz a solenidade de posse da nova Diretoria da Associação Cearense de Letras Jurídicas, tendo como presidente o acadêmico Valdetário Monteiro, como vice-presidente José Damasceno Sampaio e presidente de honra o jurista Paulo Bonavides.

A nova diretoria conta ainda com os seguintes profissionais: Ricardo Bacelar Paiva (2º Vice-Presidente), Bleine Queiroz Caúla (1ª Secretária), Manoela Queiroz Bacelar (2ª Secretária), José Adriano Pinto (3º Secretário), Ademar Mendes Bezerra (Tesoureiro), Francilene Gomes de Brito (2ª Tesoureira) e Cid Saboia de Carvalho (Diretor Cultural).

 

Assumindo a presidência, Valdetário Monteiro pronunciou o discurso a seguir.

 

Senhoras, Senhores,
Boa Noite.

Cheguei a Fortaleza ainda adolescente.

Hoje pensando no discurso que faria aqui nesta posse, pude fazer uma rápida viagem no tempo, revisitando lugares onde estive desde então.

Ainda nos bancos universitários tinha o hábito de passar pela Praça dos Leões e admirar com reverência, o prédio da Academia Cearense de Letras.

Edifício construído com o auxilio de mão-de-obra indígena, o Palácio da Luz serviu inicialmente de residência ao capitão-mor Antônio de Castro Viana.

Pertenceu posteriormente à Câmara Municipal, sendo depois vendido ao Estado para abrigar o Governo, pela Provisão Régia de 27 de julho de 1814.

No dia 1º de março de 1975, no governo Cesar Cals, o antigo Palácio da Luz, depois de vários usos, foi transformado na Casa de Cultura Raimundo Cela, ficando sob a direção do museólogo Henrique Barroso.

O Palácio foi, por 162 anos (1808-1960), a sede do Governo do Ceará. Nesse majestoso prédio, construído na época do Brasil Colônia, passaram mais de 100 governantes e seus familiares, os quais presenciaram os m2º vice-presidente), omentos supremos da história de nosso estado. Como disse Gustavo Barroso: “Ele por si só representa uma peregrinação ao passado”.

Em 1989, o então presidente da Academia Cearense de Letras (a mais antiga instituição do gênero no país, fundada a 15 de agosto de 1894), o acadêmico Cláudio Martins, conseguiu do governador Tasso Jereissati o Palácio da Luz para ser a sede da Academia Cearense de Letras.

Pelos meus caminhos em silêncio, jamais imaginei ingressar no rol dos imortais. E, apesar de, ainda hoje, continuar convencido de que apenas uns poucos mereçam estar, por um gesto de fidalga hospitalidade e generosa nobreza, sou hoje recebido neste sodalício e nesta casa, que tanto venerei e venero, para a partir de hoje, representar meus pares.

Nossa Academia Cearense de Letras Jurídicas foi concebida no longínquo ano de 1978, por um grupo de abnegados literatos cearenses.

Final da década de 70, sob a regência da “guerreira das liberdades”, advogada Wanda Othon Sidou, foi reunido um grupo de juristas com o fito de criar a Academia Cearense de Letras Jurídicas.

Em 2009, o sempre jovem advogado, Roberto Victor Pereira Ribeiro conversou com alguns juristas para levar a criação da Academia adiante, desta vez com todas as formalidades necessárias.

Entretanto, a idéia mais uma vez foi adormecida nos porões da consciência daqueles que tentaram.

Posteriormente Roberto Victor me apresenta o projeto e tão logo obtém a minha receptividade começa os trabalhos de efetivação do sonho de luminares de nossas letras jurídicas, como Aderbal Nunes Freire, Fran Martins, Luiz Cruz de Vasconcelos, Clodoaldo Pinto e a musa literaria inspiradora, Wanda Rita Othon Sidou.

Instituindo-se a Academia Cearense de Letras Jurídicas em setembro de 2011, ressurge, agora formal e efetivamente, a Academia Cearense de Letras Jurídicas, entidade social sem fins lucrativos e com o objetivo maior de fomentar a cultura jurídica do povo alencarino.

Ocupando a Cadeira 5 de Gustavo Barroso, necessário lembrar que o escritor cearense, nascido em Fortaleza em 29 de dezembro de 1888 foi membro da Academia Portuguesa da História; da Academia das Ciências de Lisboa; da Sociedade Real de Literatura de Londres; da Academia de Belas Artes de Portugal; da Sociedade dos Arqueólogos de Lisboa; do Instituto de Coimbra; da Sociedade Numismática da Bélgica, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e de vários Estados; e das Sociedades de Geografia de Lisboa, do Rio de Janeiro e de Lima.

Em 27 de Junho de 1919 foi feito Oficial da Ordem Militar de Cristo, a 7 de Junho de 1923 foi elevado a Comendador da mesma Ordem de Portugal, a 5 de Fevereiro de 1941 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública e a 22 de Maio de 1950 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada de Portugal. Rompeu, portanto, as fronteiras alem mar levando o nome da nossa terra a inúmeros lugares do mundo.

Não é preciso registrar neste apertado arrazoado oratório, da alegria e da honra que é estar aqui com nossa novel Diretoria.

Queridos amigos e amigas, meu eterno professor Paulo Bonavides, nosso Presidente de Honra; advogado e guardião deontológico da Ordem Cearense, José Damasceno Sampaio, nosso 1º Vice-Presidente; advogado e amigo de tantas boas batalhas, Ricardo Bacelar Paiva, nosso 2º Vice-Presidente; professora Bleine Queiroz Caúla, nossa 1ª Secretária; advogada e querida colega de faculdade, Manoela Queiroz Bacelar, nossa 2ª Secretária; professor e jurista de escol, José Adriano Pinto, nosso 3ª Secretário; professor e historiador sem igual, Ademar Mendes Bezerra, nosso diretor-tesoureiro; defensora publica e conselheira federal, Francilene Gomes de Brito, nossa 2ª Tesoureira, e o sempre professor e jurista, senador Cid Saboia de Carvalho, nosso diretor cultural, muito me engrandece representa-los nesta tribuna.

Aos demais acadêmicos e acadêmicas, todos, indistintamente, meu muito obrigado pela confiança depositada, procurarei honrar cada dia desta nova missão.

Bem sei, presidente Damasceno, que são tempos difíceis para a intelectualidade pensante se reunir e levar avante uma empreitada de tamanha envergadura, mas juntos daremos nossa simbólica contribuição ao Brasil. Não medirei esforços para a consolidação deste Sodalício.

É nosso dever exercitar em nossos cursos, treinamentos, palestras, seminários, congressos e afins, a cultura da integração da nossa gloriosa comunidade jurídica, permitindo que os recém chegados convivam com os mais experientes e interajam entre si, utilizando inclusive a própria rede mundial, de modo a criar nestes novos tempos uma nova literatura jurídica, onde, uma significativa teia de contatos lastreada no debate da doutrina, possa trazer a possibilidade de boas e inúmeras novas colocações profissionais e novas obras, com novas teses e soluções.

Para conduzir nossos trabalhos, devemos nos inspirar nas imortais lições dos que nos antecederam, exemplos modelares de abnegação, que personificaram a virtude, o saber, a resistência, a honestidade, devotamento ao trabalho, a exemplo irmotais de que podemos evoluir como humanos. E como proclamou em belíssimo discurso o nosso sempre eterno Presidente Ernando Uchoa Lima, “que tenhamos êxito na missão que agora se inicia, que o Brasil nos inspire e Deus nos abençoe.”

Digo eu, e que nada vença o trabalho com fé em Deus.

Muito obrigado a todos e a todas!

Valdetário Andrade Monteiro
Presidente da ACLJUR